sábado, 1 de outubro de 2011

Dia do Pastor

Este é o dia do pastor.
Ser pastor é SHOW!!!
Viva a Teologia da Prosperidade!
Filho de rei não pode ser pobre.
Só Jesus que escolheu ser pobre mesmo. Foi escolha dele!

Uma nova geração de pregadores dá espetáculo e reinventa a fé!
O sobrenatural não importa tanto, o que conta é o que se vê, ou que se tem!!!
Com as novas técnicas de auto-ajuda, esses pregadores modernos multiplica seu rebanho e enche as fileiras de crentes sem cérebro!!!

Precisamos de mais "bereanos", que só acreditam se puderem comprovar. Estes sim, eram crentes dignos de serem chamados cristãos. Já não se fazem mais cristãos como antigamente.
Até a frase mais falada dos cristãos em verdade é frase de Maomé, descrita em seu alcorão:
"Vivamos o dia de hoje como se nunca fossemos morrer, mas estejamos preparados como se fossemos morrer amanhã".

Ser cristão é muito mais que belos gritos nos templos, belos reboleichons na platéia, belos carros na porta... ser cristão é ser diferente não no bolso, não no papo de papagaio, mas no coração onde reina a empatia e a ética. Sem isto, os pastores e seus cegos seguidores  caminham rumo ao Hades, com suco de laranja (Ades) e tudo mais. - Wagner Miranda.

domingo, 4 de setembro de 2011

DEUS SE ARREPENDE, E ISSO É UMA BOA NOTÍCIA

"Deus se arrepende?"
 
Com essa pergunta um jovenzinho me interrompeu um tanto abruptamente. Acho que alguém tinha dito para ele "Vai fazer esta pergunta para o Marson", e ele veio mesmo. Estava indo na direção do salão de cultos da igreja que frequentava, era domingo, fim de tarde, e minha cabeça estava em outro lugar. Demorei um pouco para sintonizar.
 
Lembro-me vagamente de ter sentido irritação com a pergunta, mais exatamente com o tom da pergunta. Parecia um jovenzinho querendo fazer uma pergunta difícil para um adulto só para ver o cara numa saia justa.
Interrompido nas minhas divagações de corredor de igreja, levemente irritado com o olhar mezzo desafiador, eu logo devolvi. "Ele se arrepende sim. Caso contrário, nenhum de nós estaria vivo hoje. Ainda bem".
 
Fiz menção de continuar andando, já que foi o perguntador quem ficou meio sem ação. Pela cara que fez, ele não esperava esta resposta. Parecia decepcionado com minha atitude blasé diante de um enigma do universo, como se aquilo não fosse nada muito importante. Continuei andando, assisti o culto e não pensei mais no assunto.
 

 
"Mas... quer dizer que Deus se arrepende?"
 
Agora a história era outra. Na sala umas quinze pessoas, todas interessadas em aprender sobre 1Samuel, um livro histórico que narra a transição do período de líderes esparsos em Israel para a instituição da monarquia. Eu tinha três horas e meia para cobrir este livro cheio de histórias instigantes.
 
Convenhamos: quem reserva das 14h00 às 18h00 de um sábado para aprender um livro da Bíblia de fato quer aprender. Ausente aqui a sensação provocativa da pergunta do jovenzinho, e agora eu não poderia desconsiderar a pergunta com aquele meu olhar blasé.
 
Expliquei como pude, não estava preparado para a avidez dos alunos em relação ao tema. Precisei fazer uma votação entre os que desejavam que eu ensinasse 1Samuel até o fim e os que desejavam deixar o livro para lá e que nos concentrássemos na questão do arrependimento. Vitória esmagadora dos que queriam arrependimento.
 
Respondi, mas não fiquei satisfeito. Dois meses depois, quando tive a oportunidade, usei mais três horas e meia de aula só para falar sobre um Deus que se arrepende. Procurei meus mestres, abri todos os livros e softwares de que dispunha, consultei todos os manuais de línguas originais em que consegui colocar a mão, queimei minhas já ralas pestanas, e saí com uma resposta que me parece satisfatória.
 
Sim, Deus se arrepende. E mais: isso é uma boa notícia.
 
Dou de graça aquilo que muito me custou.
Não é bem um segredo, já que a revelação do assunto está às claras, acessível a todos.
Encontrei-a no óbvio, não nas tecnicidades tóxicas da teologia.
Nosso problema está mais para português e interpretação de texto do que para teologia e línguas originais.
Pronto, disse.
 

 
Deus se arrepende? Sim.
Deus se arrepende? Não.
Como assim? Depende.
Depende do quê? Do significado do verbo "arrepender-se" dentro do contexto no qual foi usado. Oras...
Viu? É português, compreensão de texto.
Errou neste ponto, errou no resto.
Diante da pergunta "Deus se arrepende?", em vez de despirocar e ficar com medo de o mundo mergulhar num caos indiferenciado, gaste um pouco de encefalocalorias para fazer a pergunta óbvia.
 
Inteligência não lhe falta. Talvez ainda que um pouco só de boa vontade.
 

 
"Causa-me espécie que você tenha comprado esta espécie desta espécie de gente, ainda por cima pagando em espécie".
O português – todas as línguas, na verdade – tem dessas: palavras e verbos que significam muitas coisas ao mesmo tempo. Isso é informação de domínio público.
Não encontrei dificuldades em montar uma frase na qual a palavra "espécie" assume quatro significados diferentes sem que eles se confundam. Se você não entendeu tudo de primeira, seu problema não é teológico nem intelectual, mas sim falta de vocabulário.
 
Começo de um excurso
Vai ler, cidadão! Ou mude seus interesses para assuntos que caibam no vocabulário que você já tem, e pare de chorumelas. Sites e revistas de fofocas existem em abundância.
Já fazia tempo que eu queria dizer isso.
Pronto, disse.
Fim do excurso
 
Reescrevo: "Fiquei chocado de ver que você comprou ilegalmente uma arara deste tipo de traficante de animais silvestres, e que ainda por cima pagou em dinheiro!".
 
Dúvidas?
 
Então, eu me pergunto: se é tão fácil dinstinguir quatro significados da mesma palavra numa frase, por que a gente amolece a perna e afrouxa o joelho diante da pergunta "Deus se arrepende?".
 
Comece com o hábito de se perguntar "Mas o que o verbo ‘arrepender-se’ significa neste contexto?", e você terá encontrado a mesma iluminação que eu.
 
Não faça a sã teologia ficar refém da preguiça interpretativa, da falta dos bons costumes hermenêuticos.
 
Essa responsabilidade é sua. Não terceirize seu cérebro teológico (ou pare de reclamar do lixo orgânico que jogam lá dentro com sua permissão de omissão).
Pronto, disse.
  
Ou, obrigo-me a perguntar: Que espécie de cristão é você?
Causa-me espécie que nós caiamos nesta espécie de equívoco nesta espécie tão importante de assunto. No tocante às dificuldades teológicas, cuide antes dos bons hábitos hermenêuticos, como se carregasse dinheiro em espécie.
 
Parece que sofremos de arrependimento de uma nota só, uma espécie de paranoia com a palavra grega metanóia. É assim: se usamos a palavra "arrependimento", o único significado possível é de arrependimento dos pecados. Quando dizemos nos círculos cristãos "Fulano se arrependeu", queremos dizer que "Fulano reconhece que é pecador, confessa sua pecaminosidade, quer mudar de vida e ser salvo da danação eterna". É o arrependimento dos pecados para a salvação.
  
Tudo bem, a palavra "arrependimento" tem este sentido muito bem definido nos escritos bíblicos. É o principal sentido da palavra grega metanóia, tão usada no Novo Testamento. Mas é o único sentido possível? Não, claro que não. Arrependimento também pode ter sobretons de remorso, de sensação ruim por uma esperança frustrada.
 
Eu, por exemplo, me arrependo de não ter escolhido bem as editoras que publicaram meus dois livros. A primeira tinha excelentes condições de divulgar meu livro sobre o profeta Jeremias, que inclusive ganhou um prêmio. Mas o desinteresse pela obra que ela mesmo publicou foi inexplicável. Já o segundo foi parar na mão de uma editora iniciante que não teve fôlego nem disposição para quase nada. Acabou falindo com pelo menos 1.500 exemplares estocados. Nem para peso de papel vão servir.
 
Eu me arrependo de ter assinado contrato com estas editoras, mas eu não pequei. Inexperiência e muita vontade de virar escritor de verdade me levaram a duas escolhas erradas, uma atrás da outra, mas não existe pecado nisso.
 
Quando digo "Eu me arrependo de ter fechado contrato com estas editoras", quero dizer "Foi uma pena eu ter escolhido duas editoras que não atenderam minhas expectativas, e agora miquei com dois livros mal divulgados". Será que um dia terei novas chances? Vai saber...
 
Pensando assim, será que você conseguiria imaginar Deus se arrependendo sem que isso ameaçasse sua soberania e perfeição? Sim, claro. Não é difícil. Deus certamente teve este tipo de arrependimento quando nos deu liberdade de escolha e viveu para ver as escolhas que fizemos:
 
Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e isso cortou-lhe o coração. (Gênesis 6:6)
 
Esta é uma passagem intragável para quem se aferra ao sentido de arrependimento como reconhecimento de pecado ou de erro. Se usarmos este sentido na passagem, a coisa simplesmente não fecha para quem, como eu, acredita que Deus é perfeito e que, portanto, não tem erros a reconhecer. Mas o outro sentido "faz muito mais sentido": Deus tinha planos maravilhosos para o ser humano, e cortou-lhe o coração quando percebeu que "a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal" (Gênesis 6:5). Então, o mais fácil e sensato é entender que, nesta e noutras passagens, "Deus se arrependeu" quer simplesmente dizer "Deus tinha a melhor das expectativas quanto aos seres humanos, mas estes preferiram a perversidade e rasgaram de tristeza o coração dele".
 
Não tem segredo, basta você ter em mente regras básicas de interpretação de texto e abrir a mente para procurar entender antes de reagir impensadamente. Muitos de nós precisarão jogar fora todo o lixo fundamentalista que aprisiona o cérebro e embota a alma.
 
Sentir-se perturbado com a ideia de que Deus pode se arrepender é uma das sensações mais incômodas da vida cristã. Esta é a minha experiência, pelo menos. Por mais que eu saiba na minha mente que o verbo arrepender-se tem diversos significados diversos, a mesma mente ficou viciada no medo irracional de que um Deus que se arrepende é um Deus que perdeu o controle das coisas. E esse, meus queridos, é um medo que muita gente grande tem.
 
Há pelo menos duas maneiras de lidar com este medo. Por um lado, posso adotar a postura da criatura que não tem o direito de questionar seu Criador, enfiando a cabeça num buraco cavado às pressas no chão. Quem adota esta postura adota junto uma postura de superioridade espiritual: "eu não preciso de todas as respostas para adorar Deus em sua perfeição... coitados dos que exigem explicações..." Por outro lado, é possível adotar a postura de indignação contra a facilidade que nós crentes mostramos na hora de usar o cérebro que Deus nos deu. Será que a única solução para este tipo de dificuldade, especialmente estas que chegam ao âmago da experiência cristã, é guardar tudo na gaveta das coisas que são inalcançáveis para nós?
 
Escolhi a segunda opção. Vou insistir e tentar entender, gastar tudo o que tiver e o que conseguir reunir lendo e ouvindo outros, para só então, caso falhe fragorosamente, relegar minha finitude ao mistério da infinitude divina e me recolher á minha insignificância. Mas...
 
...mas, enquanto sobrar um único sopro de esforço disponível, eu o usarei. Fui, tenho sido plenamente recompensado com essa atitude menos espiritual, recompensado com a descoberta de que a Bíblia é um livro magnífico, mais colorido e intenso do que já tinha percebido antes. Se tivesse relegado tudo à inalcançável dimensão espiritual, já não seria mais cristão. Por assim dizer, minha cabeça-dura me fez engatar a quinta quando muitos me aconselhavam frear e engatar um conveniente ponto morto.

Este meu pequeno libelo contra uma falsa superioridade espiritual é mais do que uma vontade recorrente que tenho de detonar fundamentalismos cheios de orgulho espiritual injustificado. É um convite ao aprofundamento da compreensão que me salvou do limbo.
 
Sim, Deus se arrepende, e sim, tem gente que se mete a dizer que Deus não se arrepende. Isso já é um problemão quando tais seres humanos são fundamentalistas mais afeitos ao controle do que às verdades bíblicas. Já não tenho problema com estes, que já foram limados da minha vida faz muito. Tenho problema sim quando o homem a dizer que Deus não se arrepende, logo depois de ouvir diretamente de Deus que este se arrependeu, foi exatamente Samuel, o profeta, meu queridinho, homem que infunde em mim mais temor, respeito e admiração em mim do que o próprio Moisés.
 
Se procurarmos com inteligência e teimosia santa, encontraremos na experiência de Samuel inspirações salvadoras. Tem ouro aí.
 
Samuel inspira em mim temor, respeito e admiração. Profeta, vidente e último juiz sobre Israel, nem Moisés me impressiona tanto. Quando um homem assim afirma que Deus não se arrepende, eu tremo. Quando um homem assim afirma que Deus não se arrepende logo depois de ter ouvido diretamente do próprio Deus que este tinha se arrependido, minha tremedeira aumenta. Assim desequilibrado, instintivamente começo a moer e remoer este bagaço até que dele saia algum caldo. E saiu, caldo do bom. Mas antes você precisa me seguir em minhas remoenças.
 
Samuel representa um ponto de inflexão na história. Quando ele ainda menino entrou em cena, Israel já estava um bom tempo sem ouvir Deus diretamente por meio dos profetas. Sua estreia foi a profecia de que a família de Eli, seu mestre e principal dos sacerdotes, seria exemplarmente castigada. E, para fazer o menino dizer isso, Eli o ameaçou com duros castigos divinos. Na primeira vez que Samuel ouviu a voz de Deus ele era menino, ouviu uma mensagem de morte e destruição, e foi forçado por seu mestre a contar sua visão com castigos divinos. Vai vendo...
 
Samuel foi o último dos juízes de Israel, e foi responsável pela transição deste desastroso período para a monarquia. O período dos juízes foi um período de lideranças fracas, com períodos esparsos de estabilidade e progresso. Ele entregaria a condução de Israel a Saul, o primeiro rei, mas continuaria exercendo suas funções sacerdotais. Não deve ter sido fácil para Samuel, apesar de sua obediência sem máculas. Afinal, Deus sentiu a necessidade de avisar Samuel que o povo não o estava rejeitando como líder, e sim rejeitando ao próprio Deus. Daí se depreende o tamanho da reponsabilidade que Samuel sentia em relação ao povo de Israel. Corretamente ou não, ele sentiu-se traído com esta história de rei. E foi impecável nas suas funções sacerdotais.
 
A trajetória de Saul como rei não é lá grande coisa, embora tivesse sido um grande líder militar. Dois eventos foram cruciais para a descambada geral de seu desempenho real. No primeiro, ele deveria esperar Samuel chegar para oficiar os sacrifícios antes de uma batalha contra os filisteus. Notando que Samuel demorava e que o moral dos soldados diminuía com a demora, ele mesmo oficiou a cerimônia. Assim que terminou de oferecer os sacrifícios sem ter autoridade para isso, Samuel virou a esquina, viu a cena e lhe passou uma carraspana exemplar: "Agiste loucamente". No segundo acontecimento, Saul recebe a ordem explícita de eliminar todos os amalequitas que tinham sido conquistados em batalha: humanos e animais igualmente. Com dó de matar aqueles belos animais, Saul os poupa com a desculpa esfarrapada de "Guardei-os para oferecer em sacrifício para o Senhor". Sem piscar, Samuel diz que Deus queria obediência e não sacrifício: se Saul quisesse agradar a Deus, que o obedecesse eliminando os animais.
 
Então, você já deve estar entendendo meus motivos para sentir temor diante de um homem desses.
 
Estes dois eventos foram fatais para o reinado de Saul. Quando Saul ofereceu sacrifícios sem estar habilitado para tanto, Samuel lhe disse "O Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; porém agora o teu reino não subsistirá". No evento em que os animais dos amalequitas foram poupados, Samuel lhe disse "Não voltarei contigo; porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou como rei de Israel... Hoje o Senhor rasgou de ti o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu".
 
Depois destes dois eventos "o Espírito do Senhor se retirou de Saul, e um espírito mau da parte do Senhor o atormentava". Para livrá-lo deste espírito mau, chamaram Davi e sua harpa. A certa altura Davi se oferece para lutar com Golias e o vence, criando para si uma merecida aura de herói. E Davi entra em diversas batalhas, alcançando tal êxito que as mulheres começaram a cantar "Saul matou mil, mas Davi matou dez mil". Daí em diante a alma de Saul ficou tão envenenada contra Davi que sequer o chamava pelo nome, preferindo chama-lo "aquele filho de Jessé". Davi só pôde ter uns instantes de sossego da perseguição assassina de Saul quando migrou para território filisteu – filisteu! – para salvar a pele.
 
Esta situação em que Samuel transmite para Saul a notícia que Deus já tinha tirado de sua mão o reino é a situação em que Samuel simplesmente não consegue acreditar nas palavras de Deus, quando disse "Arrependo-me de ter posto Saul como rei, pois deixou de me seguir e não executou as minhas palavras". Qual foi a reação do grande Samuel, meu queridinho, homem que infunde em mim temor, respeito e admiração? "Então Samuel ficou indignado e clamou ao Senhor a noite toda".
 
Este é o Samuel que precisamos observar mais de perto, na tentativa de encontrar na alma dele movimentos de indignação e angústia semelhantes aos movimentos que existem em nossa alma.
 
É fácil caracterizar a crise de Samuel.
 
Primeiro ele ouve Deus dizendo "Arrependo-me de ter posto Saul como rei, pois deixou de me seguir e não executou as minhas palavras", refererindo-se ao fato de Saul ter poupado os animas dos amalequitas.
Depois ele reage violentamente a esta afirmação: "Então Samuel ficou indignado e clamou ao Senhor a noite toda".
 
Então ele vai a campo para confrontar Saul, informa ao rei que ele já não tem o favor divino: "Hoje o Senhor rasgou de ti o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu".
 
Não satisfeito com esta frase determinante, ele acrescenta: "Além disso, o Glorioso de Israel não mente nem se arrepende, pois não é homem para que se arrependa".
 
E, por fim, somos informados que "Samuel nunca mais viu Saul até o dia da sua morte, mas teve pena de Saul. E o Senhor se arrependeu de ter colocado Saul como rei sobre Israel".
 
No primeiro movimento, Samuel fica indignado com o arrependimento divino. No segundo, ele passa a noite em claro brigando com Deus. No terceiro, ele comunica a rejeição divina a Saul de maneira exemplar, mas dá um jeito de dizer que Deus não se arrepende. No quarto movimento, ficamos sabendo que, de fato, Deus tinha se arrependido de colocar Saul como rei sobre Israel e que Samuel ainda nutria afeição pelo ainda rei. Tudo muito humano.
 

 
O grande Samuel tremeu, é minha única saída interpretativa. Nem ele, acostumado havia décadas à intimidade com Deus, engoliu pacificamente esta história de Deus se arrependendo. A reação de passar a noite em claro clamando a Deus é um sinal seguro de que ele fez a equivalência entre arrependimento e erro divino. Deus não pode errar, pode? Não. Mas ele pode sentir uma tristeza imensa de ver um plano seu indo para o buraco por causa da dureza de um súdito, certo? Certo? Então, para salvar a infalibilidade de Deus, Saul não poderia ter sido uma escolha errada. E Samuel tremeu diante da possibilidade de Deus ter pensado "Ih, acho que não escolhi direito o rei do meu povo. Vou ter que fazer um remendo". Eu teria tremido.
 
Mas não há motivo para alardes. Como disse antes, é bom cuidar da interpretação do texto antes de sair tirando conclusões apressadas. Também em hebraico, a língua na qual este texto foi originalmente escrito, os verbos traduzidos por "arrependimento" têm dois significados: o de profunda tristeza ou remorso pelo ocorrido, ou reconhecimento de erro. Assim, na minha opinião, Deus estava dizendo para Samuel "Nossa, que tristeza é ver esse Saul dando estas mancadas", e Samuel ouviu "Nossa, Samuel, eu errei colocando esse tal de Saul para ser rei... e agora? Será que o universo vai descompensar?" Numa reação compreensível, Samuel mostra seu conflito na divergência entre o que fez e o que disse: ele obedece a Deus integralmente condenando Saul, mas precisa afirmar em voz alta que Deus não se arrepende, que ele não erra e que, portanto, não precisa voltar atrás. E tudo para ser informado novamente de que Deus tinha mesmo se arrependido com a história de Saul.
 
Sinto-me inspirando por este coxear de Samuel entre interpretações díspares para o arrependimento. Se o grande Samuel tremeu, então eu posso tremer sem sentir vergonha da minha tremedeira. E, se Samuel obedeceu na tremedeira, vejo que o entendimento completo da situação não é prerrequisito para fazer o que é certo. E, por fim, se Deus não chamou a atenção de Samuel por este deslize, eu também não sofrerei as sanções divinas. É um alívio.
 
O desafio agora é outro, a saber, o de aprender a conviver com um Deus que reputamos perfeito, mas que escolhe um rei que ele mesmo rejeita, para então colocar outro e seguir a vida, e tudo isso sem considerar-se falho. Vejo numerosos exemplos bíblicos de Deus se entristecendo por não conseguir levar sua parceira com os humanos ao nível que sempre desejou, mas nunca vejo esse Deus socando a mesa com um misto de raiva e frustração enquanto diz "Nossa, errei de novo!" Ele, o grande Rei, não se abala como Samuel se abalou.
 
Creio que a saída para nosso convívio pacífico com o arrependimento divino é o protagonismo humano. E é para lá que vamos.
 
Acredito que um exame cuidadoso das fontes bíblicas indicará que a propensão mais debilitadora do homem não é seu orgulho. Não é sua tentativa de ser mais do que homem. É, antes, a sua preguiça, a sua pouca disposição para ser tudo aquilo que o homem foi destinado a ser. Seu descoramento moral apenas em parte resulta da relutância em arrepender-se do mal que praticou no passado. Resulta ainda mais da relutância em assumir responsabilidade pelo que fará no futuro.
 
Harvey Cox
Que a serpente não decida por nós, p. 3

 
Aí está escrito o que eu gostaria de dizer.
 
Disse que Deus sim se arrepende, mas o arrependimento da dor no coração de ver seus humanos se comportando como bichos, ou sendo menos do que poderiam ser. Por algum motivo de mistério, Deus usou sua soberania absoluta para entrar em aliança conosco e deixar parte de seus planos em nossa mão. Receita de decepção certa. Mas ele segue firme com esta opção.
 
Esta é a boa notícia: Deus vê com bons olhos o nosso protagonismo. Nós podemos olhar para o mundo que nos rodeia, fazer uma avaliação, examinar nossos desejos e esperanças, e traçar rumos para nossa vida, sem que nada disso signifique rebeldia contra esse vapor evasivo que chamamos de vontade de Deus. Saul evadiu-se da responsabilidade, Davi naturalmente a assumiu. É Davi que sobrevive como exemplo a ser seguido.
 
A vontade de Deus existe, claro, mas ela é bem menos definida do que costumamos imaginar. Há momentos na vida cristã em que esta vontade é clara, cristalina, fácil de captar, mas são momentos raros. Normalmente somos deixados numa generalidade que nos angustia, pois não sabemos ocupar o amplo espaço que nos foi entregue. Quando erramos nas questões morais, normalmente é porque relutamos em aceitar nossa responsabilidade pelo futuro.
 
Quero dar três exemplos pessoais.
 
Creio que sempre tive talento para escrever. As pessoas gostam das coisas que escrevo desde bastante tempo. Uma pessoa com talento pode fazer mais do que seus pares que carecem deste talento, mas ela não vai longe se comparada com aquilo pode fazer caso se dê ao trabalho de burilar este talento. Eu decidi que iria assumir uma disciplina de escrita para que o talento que recebi fosse aperfeiçoado. Com este blog, já completo 4,5 anos escrevendo em média um texto por semana. Minha escrita já melhorou muito neste tempo. Na minha avaliação, já passou por dois grandes saltos qualitativos. E eu não quero parar por aqui. Sigo na ânsia de escrever, escrever e escrever para escrever cada vez melhor. Nunca consultei Deus para saber se esta era a vontade dele. Pareceu-me o caminho mais sensato a seguir se quisesse dar um lustro às minhas letras.
 
As pessoas costumam me procurar quando precisam conversar sobre assuntos difíceis e, por algum motivo que me escapa, tendem a abrir lugares de sua alma onde habitam a vergonha e a maldade. Elas pedem ajuda, e eu as ajudo. Não que me sentisse especialmente dotado para a tarefa, nem que tivesse recebido um comissionamento divino para tanto. Não. Simplesmente as pessoas me procuram, eu converso com elas, e o resultado na maioria das vezes é que as pessoas melhoram. Eu nunca perguntei para Deus se era da vontade dele que eu aconselhasse as pessoas na igreja ou fora dela. Isso simplesmente aconteceu. Eu entendi o padrão, e segui feliz nessa direção, mantendo-me como uma opção para as pessoas com dores de alma.
 
Por fim, aprendi logo que as pessoas gostam de aprender da Bíblia comigo. Por algum motivo que me escapa, eu falo das coisas que enchem meus olhos e as pessoas prestam atenção. Às vezes ouço "Lembro até hoje daquela aula, cinco anos atrás". Não, Deus nunca me disse que eu deveria ser "varão poderoso na Palavra". Não. Bem ao contrário. Quando comecei a identificar os tesouros escondidos na minha Bíblia, fiquei tão empolgado que orei pedindo forças e inteligência para compreender mais e mais, e assim ter condições de ensinar de maneira cada vez mais eficiente e relevante. Sim, recebi confirmações em momentos de dúvidas, mas as confirmações só vieram depois que já estava na estrada fazia muito. Tivesse esperado Deus para começar a ensinar a Bíblia, estaria esperando até hoje.
 
O belo disso tudo é que minhas percepções, da quais Deus não participou com milagre nem com sinais, se confirmaram à perfeição. Depois de estudar um Deus que se arrepende, fiquei feliz da vida ao perceber que nosso protagonismo honra a Deus em vez de diminuir sua importância no esquema geral das coisas. Desde o dia em que comecei a me responsabilizar pelo futuro da minha e de como influencio as pessoas para o bem, nunca perdi uma noite com esta etérea e disforme "vontade de Deus".
 
Deus tem a história nas mãos, e a levará até o ponto em que ela será perfeitamente restaurada. As lágrimas serão enxugadas e a morte não mais existirá. Neste plano geral existem inúmeros espaços que Deus deixa abertos para que nós os ocupemos responsavelmente. E é aí que encontraremos nossa relevância.
 
Se Deus entregou este mundo para que nós cuidássemos dele, nada menos do que isso o alegrará, nada menos do que isso nos realizará. Vençamos a preguiça, assumamos a responsabilidade pelo futuro.
 
Amém. - http://blogdomarson.zip.net/cristianismo/

domingo, 22 de maio de 2011

O EVANGELIQUÊS NOSSO DE CADA CRENTE.

Chama-se evangeliquês o tipo de vocabulário característico dos crentes. Aquele tipo de linguagem que só esse povo entende. São frases de efeito, palavras de ordem e outros tipos de expressões que só podem ser compreendidos pelos iniciados, um tipo de código secreto que somente os crentes decifram. O Rev. Ricardo Agreste, em seu excelente livro “Igreja? Tô fora” apresentou um exemplo do que seria um diálogo entre dois evangélicos ao telefone, no qual podemos perceber o uso do idioma evangeliquês: “Graça e paz, irmão! Teve uma semana na bênção? Louvado seja o Senhor! Como vai a irmã Antônia? Não diga! Descansou no Senhor? Bem, que bom que ela descansou em seus braços. Louvado seja Deus que a tomou para a glória, não? Coitada, vivia no aprisionamento da carne. Agora, pelo menos, recebeu a coroa da justiça pelo fiel combate que travou. Afinal, precisamos sempre lembrar que, na realidade, não somos deste mundo”.

O problema do evangeliquês não é, obviamente, o fato de utilizar-se de expressões bíblicas na comunicação. O povo de Deus deve, sim, primar por um vocabulário sadio, que promova a glória de Deus e o bem dos ouvintes. A nossa palavra deve ser “temperada com sal”, conforme ensinou o apóstolo Paulo; o mesmo sal que nos caracteriza como discípulos de Jesus. O que falamos deve transmitir graça aos que ouvem, e servir de testemunho.

O que acontece com o evangeliquês é que muitas de suas expressões, quando retiradas da Bíblia, são vãs repetições de expressões usadas fora do contexto em que foram ditas originalmente, quase sempre caindo no equívoco do erro de interpretação. É o que pode ser observado, por exemplo, em frases como: “Tudo que você pedir em oração Deus vai te dar”; “Assim diz o Senhor”. Textos bíblicos usados fora do seu contexto podem produzir grandes estragos. Grandes equívocos doutrinários são produzidos pelo mau uso de textos bíblicos que não dizem aquilo que muitos querem que eles digam, nem se aplicam a quem eles querem fazer aplicar.

Outro equívoco ocorre com expressões não bíblicas, mas que são praticamente canonizadas pelo evangeliquês. Tipo: “Tá amarrado”; “O sangue de Jesus tem poder”; “Tô na bênção”, “Tome posse da vitória”; “Eu determino a cura”. O equívoco que se mostra em expressões como estas, é o de se atribuir à mera pronúncia dessas frases um poder sobrenatural, como se houvesse nelas uma mágica inerente, capaz de assustar o diabo, resolver problemas ou espantar aflições. Na realidade, o certo é que as nossas palavras nada podem fazer se o Deus soberano não agir soberanamente em nosso favor. O poder pertence a Deus, e não às nossas palavras. Recitar palavras ou frases de efeito não produz nada se Deus não resolver agir.

Ocorre ainda outro equivoco no evangeliquês. O de se fazer afirmações sem qualquer respaldo bíblico como se fossem verdades absolutas, sem uma reflexão teológica honesta. É o que se observa em frases como: “Sonhe os sonhos de Deus”; ou no famoso: “Jesus te ama”, quando dirigido a pessoas incrédulas. São frases que podem até soar bem aos ouvidos, mas é preciso fazer uma reflexão profunda sobre elas, se estão corretas teologicamente ou não. Será que Deus sonha? Será que Deus ama mesmo todas as pessoas indistintamente? Isto é bíblico? Nem tudo que é bonito é correto, bíblico ou verdadeiro.

As nossas palavras são instrumentos para a comunicação do Evangelho ao mundo. Devemos, portanto, ser cuidadosos com o que falamos por aí. Não podemos agir como aquela conhecida ave que apenas reproduz o que escuta, sem refletir ou questionar. Nossa linguagem deve ser simples e bíblica, sem parecer piegas ou incompreensível. O evangeliquês pode até atrapalhar a boa comunicação do Evangelho. Talvez uma boa solução para evitar os equívocos do evangeliquês seja pensar, e pensar muito, antes de falar. - Por Agnaldo Silva Mariano

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Seguindo Cegamente

Devo ser uma excessão, pois não sigo a Deus cegamente. Apesar de ser uma pedra no sapato do divino, ele tem sido atencioso e respondido minhas exigências. Isso mesmo, exigências. Não pretendo estar num céu cheio de zumbis teleguiados fazendo um monte de coisas repetitivas pelo resto da eternidade. Vou onde, quando e como quiser, desde que respeitando a constituição divina. Se é assim que desejo um céu, porque hei de seguir o que Deus manda simplesmente porque ele mandou!? Porque ele é Deus? E daí!? Ele mesmo me deu a liberdade de expressão e tem que respeitar a minha individualidade, senão não seria um líder, seria um ditador, o que acredito que ele não seja.
Como líder, sempre respeitei as diferenças e convivi com todas sem entrar em choque com elas. Se como humano consigo agir assim, como posso pensar que Deus quer que eu faça algo apenas porque ele mandou? Sou o quê, um animal no pasto comendo o capim só para engordar!? Não. Sou muito mais que isso. Sou uma extenção do divino mestre que me formou e deixou em mim parte do seu genoma, com suas caracteristicas que me definem como seu filho.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Idéia Mágica - Ganhe Dinheiro!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

NOTA: Comunicado ao Leitor

Devido às festas natalinas e de final de ano, excepcionalmente neste blog, estaremos operando de forma mais suave, podendo ficar alguma data sem notícias.
Voltaremos a operar normalmente dia 5 de janeiro de 2009 com o mesmo compromisso de denunciar e levar a verdade aos nossos leitores.
A todos os leitores e colaboradores do BLOG, um ano novo de paz e muitas realizações.

E O NATAL CHEGOU!

São comuns nesta época os enfeites em casas, praças, comércios e até mesmo em templos religiosos. É comum a troca de presentes, a pacificação mundial, a ceia abastada, as luzes coloridas, a figura do Papai Noel... Todos imbuídos do espírito natalino que invade as veias da mãe gaia enchendo as nações de amor e esperança.
Esta é uma data de comemorações. A maioria crê no nascimento de Jesus, outros apenas enchem-se do espírito desta época, mas poucos conhecem a verdadeira história deste espírito natalino.
O temo “Natal” deriva do latim NATALE - que é relativo ao “dia de nascimento”, dia em que se comemorava o nascimento do deus da religião 'mitraica', dos persas antigos, o NATALIS SOLIS INVICTUS (nascimento do sol invencível) que, com o sincretismo religioso, uniu-se ao nascimento do Messias.
O termo Christmas é uma abreviação de “Christ's Mass” - palavra latina que significa “oferenda”, complementando-se assim em “Oferenda do Ungido”, o que implica no caso do Messias, em sua morte no madeiro e não seu nascimento. Quando alguém diz: “Merry Christmas” está dizendo na realidade “Feliz Crucificação do Messias” e isto, uma vez a cada ano. Porém, as Escrituras dizem que o Messias foi oferecido apenas uma vez por todas e não a cada ano (Heb. 10:1-4, 10-14). Poderíamos entender isto como uma rebeldia do cristão contra o Criador.
Esta festa originou-se com o Imperador Constantino em cerca de 336 quando celebrou o primeiro Natal oficialmente pagão, onde muitos perderam suas vidas por não aceitarem participar de uma festa pagã imposta por Roma. Constantino ordenou uma imposição tirânica à base da força e opressão, o que era comum para o filho de um anti-semita sanguinário, “Diocleciano”. Mas com a consolidação desta fusão (paganismo e cristianismo), entre os bispos e o clero, a comemoração natalícia se estendeu e ganhou força. Em 354 o papa Libério juntamente com Justiniano - Imperador romano, ordenaram que os cristãos celebrassem o nascimento do Messias nesta data, 25 de dezembro - prática já comum em Roma devido a festa Saturnália e a festa Natalis Solis Invictus. O objetivo era “cristianizar” os cultos pagãos através deste sincretismo. Em 557 o papa gregório ordenou a Agostinho - primeiro missionário nas Ilhas Britânicas, a “Não destruir os templos dos deuses ingleses e sim convertê-los em cristãos, sem proíbir os costumes inofensivos que estavam sendo associados a outras religiões”.
Desta forma, o Natal foi mantido sem restringir o espírito pagão, mantendo-se todos os costumes da época.
Os presépios - inseridos por roma papal, foram abolidos pelos protestantes por considerarem idolatria, mas mantiveram as àrvores enfeitadas, as luzes, os enfeites e os costumes dos pagãos como a troca de presentes, comum na adoração ao “nascimento do Sol Vitorioso”. Mas uma coisa é certa, se Jesus tivesse nascido nesta data, naquela região, morreria congelado na manjedoura onde veio ao mundo, pois é época de frio e neve.
De uma forma ou de outra, todos acabam envolvidos pelo espírito natalino, principalmente em regiões com culturas mais pacificadoras e empáticas. No Brasil, a cada ano, mais e mais pessoas se envolvem e se encantam com as belezas desta data que, gostando ou não, une mais as pessoas do que o próprio cristianismo tem feito em todas as épocas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A BÍBLIA NÃO DIZ QUE O CRISTÃO É OBRIGADO A "PAGAR" O DÍZIMO

Será que o dízimo é neotestamentário? O dízimo obrigatório condiz com os cristãos que estão hoje na GRAÇA de Deus, livres do jugo da Lei?

A resposta inicial é a seguinte: Nenhum texto do Novo Testamento contém algum mandamento que nos ordena a pagar dízimos nas igrejas. As falsas interpretações de textos destinados aos que viviam ou vivem sob a Lei é altamente interessante para aqueles que têm interesse nos dízimos: os líderes eclesiásticos que enfatizam este aspecto para enriquecerem às custas desta falsa doutrina.

Temos que nos conscientizar que estamos vivendo hoje debaixo da Graça. Aqueles que intimidam os crentes para darem o dizimo obrigatório usam a sobejo Malaquias 3:8-11: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança. Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos".

Este texto é terrível. Mete medo realmente. Chama os não dizimistas de ladrões, promete maldições, fala do devorador e manda o povo fazer prova de Deus. Esta linguagem é flagrantemente do Velho Testamento e da Lei. É a mesma linguagem do apedrejamento dos adúlteros e dos rebeldes.

No Novo Testamento a linguagem muda completamente e os adúlteros e rebeldes arrependidos em lugar de serem apedrejados são perdoados e passam a viver em novidade de vida.

Os que utilizam o argumento do dízimo obrigatório de Malaquias 3 parece que jamais leram o Novo Testamento que nos mostra claramente que o devorador foi vencido em nossa vida, independente de dízimos. Veja o que nos mostra o Novo Testamento:

1) Já estamos abençoados – Efésios 1:3"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo".

2) O devorador já foi derrotado - Hebreus 2:14"Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo".

3) O devorador (o maligno) não pode nos tocar, em nosso bens, nem em nossa casa - Isto é doutrina falsa neopentecostal. Os pentecostais verdadeiros não ensinam esta doutrina. Vemos a evidência desta verdade em I João 5:18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca".

4) Já não há condenação - Romanos 8:1"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".

5) Já não há acusação - Romanos 8:33"Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus"?

6) Já não há mais maldição - Gálatas 3:13"Cristo nos resgatou da maldição da Lei".

7) Já não há mais dívida - Colossenses 2:14"...e havendo riscado o escrito de dívida".

8) Já não há juízo - João 5:24"Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entra em juízo".

9) Já não há sacrifício, porque o verdadeiro sacrifício já foi realizado - Hebreus 10:14"Porque com um único sacrifício nos aperfeiçoou para sempre".

10) Temos um fiador para com qualquer dívida ainda existente - Hebreus 7:22"De tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador".

11) Temos um mediador - Hebreus 9:15"E por isso é mediador de um novo pacto".

12) E se qualquer dúvida ainda existir, temos um advogado - I João 2:1"Temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo".

13) Não precisamos mais fazer prova de Deus – I Coríntios 10:9 - E não ponhamos o Senhor à prova como alguns deles o fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes.

Um dos textos mais usados pelos interessados em dízimos é Mateus 23:23: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas".

Ao utilizarem este texto os cultores dos dízimos estão colocando em pé de igualdade os eleitos de Deus, nascidos de novo, lavados e remidos pelo sangue de Cristo, com os escribas e fariseus hipócritas! Não é uma aberração?

Quando Jesus disse que eles deveriam fazer estas coisas, estava simplesmente enfatizando o seguinte: vocês, escribas e fariseus hipócritas, que vos gloriais na Lei, cumpram a Lei de vocês, mas não se esqueçam que para Deus o mais importante não é isto, mas é a justiça, a misericórdia e a fé.

Este texto de modo algum pressupõe que os crentes tem que cumprir os mesmos ditames da Lei que os escribas e fariseus ainda estavam cumprindo e ainda cumprem até os dias de hoje. Outro texto muito usado é Hebreus 7:1-8 "Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão separou o dízimo de tudo (sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote para sempre. Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os melhores despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que estes também tenham saído dos lombos de Abraão; mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou ao que tinha as promessas. Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, os recebe aquele de quem se testifica que vive".

Este texto mostra claramente que Abraão, antes da Lei deu dízimos para Jesus. O argumento é que nós, sendo filhos de Abraão, que é o pai da fé e que deu dízimos antes da Lei ser instituída, também devemos dar dízimos a Jesus, como Abraão o fez.

Abraão também teve mais de uma mulher ao mesmo tempo e mentiu. O cristão jamais pensaria em fazer tais coisas. Naquele tempo os dízimos eram dados pela população aos soberanos. Ele deu dízimos mostrando sua condição de vassalo diante do Soberano Supremo.

Se o dízimo fosse uma instituição cristã, haveria referências a ele em todo o Novo Testamento.

Mas, como é a verdadeira maneira de um cristão contribuir?

Antes de qualquer coisa, segundo o que o Novo Testamento classifica como a verdadeira religião, eis o principal destino das contribuições de um cristão: Tiago 1:27"A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo".

Depois, ajudando não a presidentes de igrejas para suas viagens nacionais e internacionais e suas hospedagens luxuosas, mas ajudando aqueles que vivem ensinando a Palavra, conforme I Timóteo 5:17: "Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra (ou remuneração), especialmente os que labutam na pregação e no ensino" e Gálatas 6:6: "E o que está sendo instruído na palavra, faça participante em todas as boas coisas aquele que o instrui". Outra tradução diz: "reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui".

Resumindo, quais as principais finalidades das contribuições dos cristãos? Ajudar aos órfãos e viúvas e aos que ensinam a Bíblia com propriedade.

Como foi que o apóstolo Paulo mandou contribuir: "Ora, quanto à coleta para os santos fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galiléia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder (não 10%), conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não façam coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que por carta aprovardes para levar a vossa dádiva a Jerusalém".I Coríntios 16:1-3.

Veja que não ficaria na igreja local para pagamento de algum chefe, mas seria para os cristãos necessitados. O problema hoje é que se necessita de muito dinheiro para fazer templos luxuosos, o que não é bíblico. Mostraremos isto em outro artigo que fala sobre os templos.

"Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia levantar uma oferta fraternal para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Isto pois lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes das bênçãos espirituais dos judeus, devem também servir a estes com as materiais".Romanos 15:26,27.

Mostrarei, a seguir, vários textos que falam sobre a verdadeira índole de um diácono ou de um presbítero, ou bispo (pastor) do Novo Testamento.

I Timóteo 6:10,11:"Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão".

I Timóteo 3: 8: "Da mesma forma os diáconos sejam sérios, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância".

Tito 1:7-11: "Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, temperante; retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão, aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância".

Veja que os principais insubordinados que viviam a ensinar coisas erradas por torpe ganância (ou para ganhar dinheiro), era os da circuncisão, ou seja os judeus que tinham se "convertido", mas ainda estavam com toda aquela idéia de dízimo para os levitas.

Sejamos muito claros. Vou escrever com letras bem grandes para que você entenda que não somos judaizantes: NÃO EXISTEM LEVITAS NO NOVO TESTAMENTO! Esta dispensação já passou. Estamos na Graça.

Veja o que diz Hebreus 13:5: "Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei".

Veja o que diz I Pedro 5:1-3: "Aos anciãos (ou presbíteros, ou pastores), pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho".

Quando um pastor presidente de uma grande igreja viaja para a Europa e Israel, com o pretexto de visitar os lugares onde Jesus pregou, junto com 18 pessoas de sua família, com tudo pago com dízimos e ofertas de viúvas e lavadeiras, além, é claro, dos dízimos dos magnatas da sua igreja que gostam de contribuir para serem vistos, iguais aqueles fariseus que Jesus mostrou no templo, por acaso ele não está enquadrado no que diz Isaías 10:2: "para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos"! e no que diz Mateus 32:14: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas orações; por isso recebereis maior condenação".

Quer ver um texto em que os dízimos são mais castigos do que bênçãos? Leia I Samuel 8:11-17: "E disse: Este será o modo de agir do rei que houver de reinar sobre vós: tomará os vossos filhos, e os porá sobre os seus carros, e para serem seus cavaleiros, e para correrem adiante dos seus carros; e os porá por chefes de mil e chefes de cinqüenta, para lavrarem os seus campos, fazerem as suas colheitas e fabricarem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas terras, das vossas vinhas e dos vossos olivais, e o dará aos seus servos. Tomará e dízimo das vossas sementes e das vossas vinhas, para dar aos seus oficiais e aos seus servos. Também os vossos servos e as vossas servas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho. Tomará o dízimo do vosso rebanho; e vós lhe servireis de escravos".

Assim agiam os reis daquele tempo e assim agem os dominadores dos rebanhos hoje.

Não escrevi tudo isto porque não gosto de contribuir, nem porque tenho algo contra algum guardião de templos. Escrevi, porque creio que é a verdade. Escrevi porque vejo muita distorção nos sistemas de contribuições que existem hoje. Escrevi porque vejo pessoas ganhando salário mínimo e dando 10% desse minguado salário porque estão "fazendo prova de Deus".

Não precisamos mais fazer prova de Deus. Ele já nos abençoou com toda sorte de bênçãos, já destruiu o devorador, já pagou nossa dívida, já nos libertou da opressão da Lei. Somos livres para contribuir com aquilo que o Senhor colocar em nossa coração e conforme a nossa prosperidade, principalmente para ajudar aos necessitados e para ajudar aqueles que vivem ensinando a Palavra, não para aqueles que vivem utilizando o dinheiro dos fiéis para seu luxo.

O dízimo só surgiu entre os cristãos no século VI d.C. No Ocidente, a partir da Idade Média, o direito eclesiástico ocupou-se fartamente dos dízimos, tema de vários concílios regionais ou ecumênicos da Igreja Católica Romana. Entre os cristãos ortodoxos, no entanto, a prática não prosperou.

Entre os judeus, o costume de pagar dízimos se manteve, apesar das invasões estrangeiras. Depois de esmagada a última revolta contra o domínio romano, a Palestina foi esvaziada de sua população e o judaísmo se espalhou pelo mundo. Posteriormente, o dízimo passou a ser cobrado em dinheiro e perdeu o caráter de contribuição decimal. Foi substituído por um conjunto de doações, em princípio voluntárias, com fins de culto, previdência social e beneficência.

Nos primórdios do cristianismo não havia dízimo, mas doações voluntárias com fins caritativos denominadas oblações. No século VI, com o desmoronamento do sistema de cobrança de impostos do Império Romano do Ocidente, a igreja católica transformou as oblações em dízimos. Eles, entretanto, passaram a ser utilizados também pelos senhores feudais e nobres, que atuavam muitas vezes como intermediários na cobrança.

A redução de arrecadação foi compensada pela igreja católica com os chamados direitos de pé-de-altar, taxas cobradas por batismos, casamentos, serviços fúnebres e comunhão pascal. Tais práticas promoveram a secularização dos dízimos, que foram desviados de sua finalidade original. A igreja concedeu a alguns soberanos o direito de cobrança de parte dos dízimos, a partir do século XII. No século XVIII, com a revolução francesa, esse imposto foi progressivamente abolido.

Nos países europeus onde ocorrera a Reforma protestante, o dízimo continuou a ser cobrado pelas novas igrejas oficiais. Em certos países, católicos ou protestantes, era cobrado também dos dissidentes. Com a abolição do dízimo na França e a partir daí, progressivamente, nos demais países europeus, o Estado achou outras formas de compensação às igrejas.

No Brasil colonial, os dízimos pertenciam à Ordem de Cristo, a quem a Santa Sé os concedera implicitamente, ao conferir-lhe jurisdição sobre as terras conquistadas e a conquistar nas regiões ultramarinas, de acordo com bulas papais do século XV. Inicialmente, o dinheiro arrecadado mal cobria os gastos do clero, mas, com o impulso do açúcar no século XVI, o dízimo tornou-se uma das maiores fontes de arrecadação da colônia. Também aqui o dízimo era secularizado e a coroa portuguesa repassava para a igreja apenas uma parte dos bens recolhidos. O dízimo eclesiástico não se confunde com a dízima, imposto civil também de um em dez, cobrado no Brasil imperial.

Os dízimos continuaram a ser cobrados durante o primeiro reinado, mas, no decorrer do século XIX, foram sendo progressivamente substituídos por impostos civis. Em 1890, com a separação da igreja e do estado, extinguiram-se em definitivo no Brasil. Os direitos de pé-de-altar permaneceram e as oblações tornaram-se generalizadas. Posteriormente, a Igreja Católica procurou substituir as coletas por doações mensais voluntárias, sem caráter decimal.

Entre os evangélicos, contudo, essa prática continua até os dias de hoje.
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Por Pr. Paulo de Aragão Lins
Pastor Batista, teólogo, escritor, conferencista internacional em 29 países. Consultor de traduções da Bíblia.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Como nos proteger dos virus

"Encham as suas mentes com tudo o que é bom e merece elogios: o que é verdadeiro, digno, justo, puro, agradável e honesto" (Filipenses 4.8), já recomendava o apóstolo num tempo quando as influências ainda não eram eletrônicas e tão nocivas. E se a nossa mente registra tudo como um computador, e pela Internet os seus programas estão em constante perigo pela contaminação de vírus, o Antigo Testamento também já alertava: "tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos" (Provérbios 4.23). Esta era a preocupação do apóstolo Paulo (que teve sua mente dominada pelo legalismo) com os cristãos de Corinto: "tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e que vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo" (2 Coríntios 11.3).
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O apóstolo apresenta um poderoso antivírus ao prometer que "a paz de Deus ... guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus" (Filipenses 3.7). Mas a mente só estará protegida com Cristo ao seguir-se a recomendação que segue no versículo: "portanto, meus irmãos, encham as suas mentes com tudo o que é bom ...". Seguindo esta orientação, pais cristãos além de encherem suas próprias mentes de Cristo, não pensarão duas vezes em controlar a televisão e o computador e conseguir tempo para fazer aquilo que Deus pede em Gênesis 6.7, ensinar a Bíblia. Afinal, os filhos vão ser aquilo que pensarem assim como nós, e vão pensar aquilo que os pais permitirem.

Bem-Aventurados os Aflitos

O estado de profunda tristeza que a vida às vezes nos impõem leva-nos muitas vezes a pensamentos fúteis relacionados à nossa existência. Mas nós não devemos jamais perder de vista que estamos sobre um mundo inferior e decadente, onde não é mantido senão pelas nossas imperfeições. Onde cada um de nós tem sua parte de trabalho, de sucesso, de decadência e de miséria, nosso quinhão de sofrimento e de decepções. A terra é um lugar de expiações e provas, e temos que nos conformar com esta realidade inevitável. Porém estas provas e expiações são sempre sinais de uma inferioridade relativa, porque o que é perfeito não tem mais necessidade de ser provado, já foi lapidado.
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Afinal de contas, a felicidade aqui, é uma utopia, na busca da qual as gerações se lançam sucessivamente sem poder jamais atingí-la. Consegue-se momentos, mas tão pequenos que se perdem no tempo e espaço. Por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto se escoa numa seqüência de amarguras e decepções. Que remédio então recomendar àqueles que estão atacados de obsessões cruéis e de males cruciantes? Um só é infalível: a fé, o olhar para o céu. O que crê é forte pela fé, e o que duvida um segundo da sua eficácia, é logo punido porque experimenta no mesmo instante as pungentes angústias da aflição. Mas ao voltar-se à fé o consolo divino o apanha e o torna forte.

O Início

Eu fui adventista de berço. Batizei-me aos 9 anos. Aos 10 já era capitão de unidade, onde liderava 8 garotos de minha idade. Aos 16 era líder graduado e aos 19 comecei a dedicar-me aos estudos escatológicos. Fui um líder respeitado e recebi muitas congratulações. Era conhecido pela minha determinação e firmeza em meus atos. Era rigoroso no cumprimento das leis e exigente para que meus liderados também cumprissem. Em meu departamento, criei leis localizadas, sob a aprovação de todos que pertenciam ao grupo, para organizar o trabalho e “deletar” aqueles que só estavam para atrapalhar o processo. Era o primeiro a cumprir os regulamentos, pois as regras valiam para todos, desde o zelador até o pastor. Acabei excluindo de meu departamento, “mauricinhos e patricinhas” importantes na igreja, comprando assim grandes brigas com os líderes locais. Era amado por muitos e odiado por tantos outros. Não media poder, cor, raça ou posição social, executava o que tinha que ser e ponto final. Se eu errasse, deveria ser punido da mesma forma. Criei padrões administrativos que foram reconhecidos pela Associação e oficalizados pela Divisão, sendo usados em todos os países Sul-Americanos.
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Acreditava piamente no Espírito de Profecia. Minhas pregações eram recheadas de passagens Bíblicas, escatologicamente corretas (dentro do meu conhecimento adventista na época), recortes de jornais e revistas, slides de imagens sobre o tema discutido e, paralelo a tudo isso, se não acima, a confirmação pelos escritos de Ellen White, a “mulher que Deus havia inspirado para que tivéssemos maior compreensão de Suas verdades” - uma luz menor para fazer-nos entender a Bíblia. Acreditava, vivia e pregava que sem Ellen White, jamais teríamos o conhecimento da verdade. Ela era para mim, assim como para a maioria dos adventistas, tão importante - se não mais, quanto os escritores bíblicos.
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Acreditei que se um dia me rebelasse contra os testemunhos de Ellen White estaria condenado à perdição eterna (conforme descrito nos livros da profetisa), assim como tantos que conhecia. Baseado nisso, criei um sistema para resgatarmos estas almas “perdidas”, onde um grupo de jovens oraria e enviaria cartas, dando total assistência por uma semana enviando cartas, cartões, lembranças, telefonemas, etc, para um grupo de “perdidos” pré-selecionados (os ex-adventistas). Funcionava em forma de rodízio, e cada “perdido” passaria por todos os jovens do grupo de oração sendo um por semana responsável por algum ex-adventista e, algumas semanas depois, uma grande festa era realizada com imagens destas pessoas quando eram adventistas e o estado degradado em que se encontravam e como poderiam ser resgatas da “perdição”. O projeto deu certo, e mais de 80% dos ex-adventistas retornaram ao redil após a conclusão do projeto.
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Com o envolvimento cada vez maior com a administração regional, já que fui aceito como Coordenador Regional, administrando uma região de mais ou menos uns 200 Km2, comecei a me envolver com a elite adventista, e fui percebendo que a coisa não era bem como imaginava. “Homens de Deus” sugavam o patrimônio da igreja, enquanto membros da “ralé” passava fome. Pastores guardavam seus carros e alugavam suas casas para usar casa e carros da igreja, destruindo aquilo que deveria ser para o andamento da obra missionária e não para deleite pessoal. Valores que sobravam em caixa eram investidos em bens que beneficiassem a elite. Diretores de departamentos agiam como funcionários de empresas, brigando por posições que às vezes não geravam renda, mas geravam status e, às vezes, renda indireta. Fui me decepcionando com os meus superiores e fui ficando “chateado” com tudo isso, pois acreditava que homens de Deus não cometeriam certos tipos de erros envolvendo até prostituição. Tentei entender como homens conhecedores desta tal “verdade”, tendo Deus sobre suas atitudes como demonstravam nos púlpitos, podiam estar a cometer atos tão vulgares.
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Comecei então a fazer aquilo para o qual fui treinado, rastrear a fé alheia. Só que desta vez fui rastrear minha própria casa, ou seja, minha própria fé. Acreditava que se homens da liderança, instituídos por “Deus” cometiam tantos erros, é porque não estavam com Deus. Mas se Satanás não poderia agir com a “verdade”, então ele teria que estar no comando! Isso me assustava, pois sabia que se Satanás estivesse no comando, Deus não estaria ali, mas como não estar ali se esta era a igreja de Laodicéia, a igreja Remanescente, a igreja profeticamente correta, instituída pelo próprio Deus através de Ellen White sob os estudos de Guilherme Miller! Confesso que recuei e preferi não saber o resto, pois temia ter que ver o que não queria ver.
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Mas Deus era misericordioso e tinha um plano para minha vida. Ele sabia que aquele não era o meu lugar e que nada abalaria a minha fé: nem bebidas, nem mulheres, nem festas, nem poder, nem dinheiro... Nada enchia os meus olhos. Eu só tinha um objetivo: o céu. Porém, Deus sabia que eu poderia ser abalado com uma traição, algo que sempre repudiei, mas nunca tinha experimentado. Mas tinha que ser uma traição bem grande, que fosse além de um simples sentimento pessoal, abrangesse toda uma estrutura como a minha própria existência, envolvendo uma organização, por exemplo. Mas ele precisava de um estopim. Tinha que ter uma “ponta de pavio para poder acender”.
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Eu namorava uma jovem líder há 4 anos. Não era ninguém importante quando começamos e tornou-se a segunda no comando quando saí do redil, sendo convidada para ocupar minha cadeira que ficou vazia. Era a pessoa em quem eu mais confiava. Não a amava tanto como homem, mas confiava o bastante para entregar meus negócios nas mãos dela. Esse foi o pavio encontrado pelo divino.
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Porém, foi uma pancada que me abalou, mas não me derrubou. Procurei meus líderes, mostrei o material coletado sobre a traição e pedi uns meses de afastamento para reorganizar minha vida pessoal. Algumas semanas depois, fui informado de que ela havia sido condecorada e foi chamada para ocupar o meu lugar. Liguei para o meu superior e fui surpreendido com uma declaração: “Se não estiver gostando saia”. Foi o que fiz, entreguei todos os cargos e passei a ser apenas membro. Os membros da igreja começaram a me tratar de forma diferente, e quando percebi, já era o vilão e a jovem santa a “deusa” nas igrejas da região. Procurei o pastor local e fui informado que “a vida era assim mesmo, e que eu tinha que me acostumar” e “que se não posso com eles, deveria me juntar a eles”... Cansei. Fui para casa, e reiniciei meus estudos sobre a IASD, agora com mais afinidade. Queria entender estas atitudes contrárias às palavras da Bíblia na qual eu acreditava. Reli todos os livros de Ellen de forma crítica. Aproveitei meu momento de raiva para não ser afetado pelo meu sistema de crenças. Comecei a ver coisas que não eram bíblicas, e me bati com a declaração de que os “mentirosos são filhos do Diabo”! Não dá pra ser filho de dois pais, ou se está com Deus ou se está com o Diabo.
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Aos 27 anos descobri que Deus não estava guiando na direção que eu seguia e optei por me afastar do rol de membros da IASD após enviar Carta de Renuncia, conforme o Manual da Igreja, por não ter praticado nada de errado passível de punição. Saí da IASD por escolha própria, e nunca tive meu currículo eclético manchado por nem mesmo um errinho passível de advertência.
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Diferente do que se prega nos corredores adventistas, hoje eu estou milhares de vezes melhor que antes. Cheguei a dever quase cem mil reais, mesmo sendo um fiel dizimista. Se vendesse meu patrimônio, não pagaria nem um por cento das dívidas. Hoje, mesmo não dizimando mais, minha dívida é a do dia a dia. Se vender tudo que tenho, pago a dívida umas 30 vezes. Tudo em minha vida corre muito bem, e sinto Deus como nunca senti em minha existência. Hoje posso dizer que sou Seu amigo, mesmo muitos adventistas afirmando que é Satanás quem me ajuda. Creio que os irmãos estão equivocados, pois se crer desta forma, terei que aceitar que Deus não tem poder, pois quando estava com Ele nada funcionava.
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Passei a vida acreditando que tudo dependia da lei do decálogo e que a salvação só era possível via doutrina adventista. Os escritos de Ellen White eram tão importantes que conhecia cada linha de suas palavras. Porém, ao confirmar tantos erros doutrinários e sentir a atitude de um povo que se diz santo e na verdade são os principais julgadores terrenos; ao ver como Ellen White manipulou os textos através do plágio, afirmando ser tudo obra divina, tudo inspiração; ao detectar os erros bizarros da doutrina adventista em contrapartida com a palavra de Deus, cheguei a uma única conclusão:
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A Igreja Adventista só pode ser a mais bem estruturada, mais bem arquitetada, mais bem projetada obra satânica sobre a terra, algo jamais sonhado pelos precursores do cristianismo. Satanás usa a verdade da Bíblica fundida a uma mentira camuflada carregada de plágios e mitologias, difundida sob um terrorismo psicológico sob uma bem estruturada programação neuro-linguística. Os membros são bombardeados constantemente com avisos de que “esta é a única verdade” e quem não estiver com ela “não se salvará” e, pior que isso, quem conhecer esta “verdade” e a abandonar, “estará indo de encontro ao próprio Deus” (meu caso. Conheci a verdade e a abandonei).
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O que sinto pelos adventistas hoje é pena. Pena por eles virem como eu vivi durante tanto tempo sob uma bandeira de falsa felicidade, de falsa liberdade. Pena de vê-los destruindo suas próprias vidas crendo estarem a fazer a vontade de Deus. Pena de saber que vivem uma vida mesquinha, cheia de leis e regras, vivendo sob o decálogo sem conhecer a verdadeira graça divina. Que permaneçam nesta ignorância camada de “verdade”, pois assim terão uma chance na salvação.
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Acredito que a Bíblia é a única fonte da verdade escrita e manipulada por gerações no intuito de manter viva uma doutrina de amor. Aqui vamos tentar apresentar certas doutrinas de forma clara e livre dos fardos ecléticos que se baseiam em opiniões pessoais que fundem-se em instituições com o intuito de mudar uma ideologia de mais de seis mil anos.
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Quanto aos irmãos de outras denominações, precisam se proteger deste mundo de fábulas, pois os adventistas são “pescadores de aquário”, não buscam as almas que realmente precisam de salvação, mas vivem tentando atrair os membros de outras denominações, com o intuito de “evangeliza-los”. Possuem grandes argumentos capazes de confundir até mesmo pastores de outra fé, e até igrejas inteiras já foram “convertidas”. A música adventista é o melhor meio de adentrar o terreno alheio. Possuidores de grandes vozes “encantam” os ouvintes com a força da palavra e, com suas letras evangelizadoras, penetram o sob-consciente de cristãos implantando em seus sistemas de crenças, dúvidas relativas à sua própria fé. A música adventista “é a melhor forma de evangelizar”, diz a dita profeta dos últimos tempos: Ellen White.